Isabely FerreiraNeuropsicologia e Psicoterapia

Avaliação neuropsicológica para investigação de TDAH

O TDAH (transtorno do déficit de atenção com hiperatividade) é uma condição do neurodesenvolvimento que começa na infância e pode continuar na vida adulta. Aqui explico como é a avaliação neuropsicológica quando existe essa suspeita, em crianças e em adultos.

Quando faz sentido investigar

Vale investigar quando a dificuldade de atenção, organização ou controle de impulsos é persistente, aparece em mais de um lugar, como escola, casa e trabalho, e traz prejuízo real. Distração de vez em quando, em dias cansativos, faz parte da vida de todo mundo.

Também é comum a suspeita surgir depois de um vídeo ou de um teste na internet. Se você se reconheceu, esse é um bom motivo para investigar com calma, não para concluir.

Por que um teste sozinho não basta

Pessoas com TDAH, em média, têm mais dificuldade em tarefas de atenção, controle de impulsos e memória de trabalho. Mas isso não vale para todas. Uma meta-análise com 83 estudos mostrou que essas dificuldades aparecem na média do grupo, mas não em todas as pessoas com o diagnóstico (Willcutt e colegas, 2005).

Por isso a avaliação junta várias fontes de informação:

  • A história desde a infância, porque o TDAH começa cedo.
  • Como a dificuldade aparece em diferentes lugares.
  • O relato de quem convive, como pais, professores ou parceiros.
  • Escalas e questionários padronizados.
  • Testes de atenção, memória e funções executivas.
  • A investigação de outras explicações possíveis, como sono ruim, ansiedade, depressão ou dificuldades de aprendizagem.

TDAH em crianças

Com crianças, converso primeiro com os responsáveis sobre o desenvolvimento, a rotina e a escola. Relatórios e boletins que a família já tenha ajudam bastante. Os resultados são comparados com os de crianças da mesma idade.

Um cuidado importante é a idade dentro da turma. Estudos de vários países mostram que as crianças mais novas da sala recebem mais diagnósticos de TDAH do que as mais velhas. Comparar com a idade certa evita confundir imaturidade com transtorno.

TDAH em adultos

Em adultos, a avaliação procura entender se as dificuldades de hoje já existiam na infância, mesmo que de outro jeito, e como elas afetam trabalho, estudos, finanças e relações. Se você quiser, alguém que conviveu com você na infância ou que convive hoje pode participar de uma das conversas.

Muitos adultos chegam depois de anos compensando as dificuldades com esforço extra. A avaliação ajuda a separar o que é TDAH do que pode ser ansiedade, esgotamento ou outra condição. Às vezes elas aparecem juntas.

Como é o processo

  1. 01

    Conversa inicial

    Entendo a queixa, a história de desenvolvimento, a saúde e a rotina. Com crianças, essa conversa é com os responsáveis.

  2. 02

    Sessões de testes

    Aplico testes e escalas padronizados, escolhidos para a pergunta de cada caso. O número de sessões depende da idade e da demanda.

  3. 03

    Análise e laudo

    Corrijo e interpreto os resultados em conjunto com a história e as informações trazidas pelo paciente e pela família.

  4. 04

    Devolutiva

    Entrego o laudo em uma sessão e explico o que foi encontrado e o que fazer a partir disso.

O que você recebe

Um laudo com os resultados, a interpretação e recomendações práticas para casa, escola ou trabalho, e uma sessão de devolutiva para explicar tudo.

Avaliação e diagnóstico

O diagnóstico de TDAH é clínico. A avaliação neuropsicológica oferece informações importantes para ele e costuma ser usada junto com a avaliação médica, principalmente quando se discute tratamento com medicação.

Perguntas frequentes

Sim. Avalio adultos de qualquer idade com suspeita de TDAH.

Não. Se você já tem acompanhamento médico, é útil trazer os relatórios.

Em geral, de 4 a 8, conforme a idade e a demanda.

Sim. Ele pode incluir recomendações que ajudam a escola a planejar adaptações.

Não. Um questionário online pode ser um ponto de partida para a conversa, mas não substitui uma avaliação.

Willcutt EG, Doyle AE, Nigg JT, Faraone SV, Pennington BF. Validity of the executive function theory of ADHD: a meta-analytic review. Biological Psychiatry, 2005. https://doi.org/10.1016/j.biopsych.2005.02.006

Frisira E, Holland J, Sayal K. Systematic review and meta-analysis: relative age in ADHD and autism spectrum disorder. European Child & Adolescent Psychiatry, 2025. https://doi.org/10.1007/s00787-024-02459-x