Isabely FerreiraNeuropsicologia e Psicoterapia
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Neuropsicologia, 12 de maio de 2026, 4 min de leitura

O que é uma avaliação neuropsicológica e quando ela é indicada

Para que serve a avaliação neuropsicológica, quando ela costuma ser indicada, como são as etapas e o que vem no laudo.

A avaliação neuropsicológica é um processo para entender como a pessoa está funcionando em atenção, memória, linguagem, raciocínio e funções executivas, que são as habilidades de planejar, organizar e controlar impulsos. Ela não serve só para dizer se alguém vai bem ou mal. O objetivo é descrever um perfil: o que está preservado, o que está mais difícil e como isso aparece no dia a dia.

Na prática, ela ajuda a responder perguntas concretas. Algumas das que mais chegam ao consultório:

  • Por que meu filho entende a matéria em casa e trava na prova?
  • A minha dificuldade de concentração é TDAH, ansiedade ou cansaço?
  • Os esquecimentos da minha mãe são esperados para a idade?

Quando ela costuma ser indicada

  • Dificuldades de aprendizagem ou desempenho escolar abaixo do esperado, mesmo com apoio.
  • Suspeita de TDAH, em crianças ou adultos.
  • Investigação de autismo (TEA).
  • Suspeita de altas habilidades ou superdotação.
  • Queixas de memória em adultos e idosos, ou mudanças em relação ao jeito de antes.
  • Condições neurológicas, como AVC, epilepsia ou traumatismo craniano, e avaliações antes ou depois de cirurgias, quando o médico solicita.

Ela também pode ser usada para acompanhar alguém ao longo do tempo, comparando uma avaliação com outra.

Nenhuma dessas situações, sozinha, é um diagnóstico. Dificuldades parecidas podem ter causas bem diferentes, e é justamente isso que a avaliação investiga.

Como é o processo

  • Conversa inicial. Entendo o motivo da procura, a história de desenvolvimento, a saúde, a escola ou o trabalho e a rotina. Com crianças, essa conversa é com os responsáveis.
  • Sessões de testes. Uso testes e escalas padronizados, estudados em grupos grandes de pessoas, o que permite comparar o desempenho com o de pessoas da mesma idade e escolaridade. No Brasil, os testes psicológicos precisam ter parecer favorável do Conselho Federal de Psicologia, no Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos (SATEPSI).
  • Análise. Corrijo e interpreto os resultados em conjunto com a história e as informações trazidas pelo paciente e pela família.
  • Devolutiva. Entrego o laudo em uma sessão e explico cada parte.

No total, são de 4 a 8 encontros, conforme a demanda do caso. O prazo de entrega do laudo é combinado na conversa inicial. A avaliação pode ser feita no consultório do Centro Cívico, em Curitiba, ou online.

Por que os testes não são a avaliação inteira

Um resultado de teste, isolado, diz pouco. Uma pessoa pode ir mal numa tarefa de atenção porque dormiu mal, porque está ansiosa ou porque não entendeu a instrução. Por isso o resultado é sempre interpretado junto com a história, com o que observo durante as sessões e com as informações de quem convive com a pessoa.

No TDAH, por exemplo, uma meta-análise com 83 estudos mostrou que as dificuldades nos testes de funções executivas aparecem na média do grupo, mas não em todas as pessoas com o diagnóstico (Willcutt e colegas, 2005). Um teste bom é uma peça importante. Só não é a única.

O que vem no laudo

O laudo é um documento escrito que segue as normas do Conselho Federal de Psicologia para documentos psicológicos. Ele descreve o motivo da avaliação, os procedimentos usados, a análise dos resultados e a conclusão, com recomendações práticas para casa, escola, trabalho ou para outros profissionais que acompanham a pessoa.

Na devolutiva, explico o laudo em linguagem clara e respondo às dúvidas. A ideia é que você saia entendendo o que está escrito, e não só com o documento na mão.

Avaliação e diagnóstico

A avaliação neuropsicológica contribui para o diagnóstico, mas nem sempre é a única etapa. Em condições como TDAH e autismo, o diagnóstico é clínico e pode envolver médico e outros profissionais. O laudo ajuda essa equipe e a família a decidir os próximos passos com mais informação.

Willcutt EG, Doyle AE, Nigg JT, Faraone SV, Pennington BF. Validity of the executive function theory of ADHD: a meta-analytic review. Biological Psychiatry, 2005. https://doi.org/10.1016/j.biopsych.2005.02.006

Isabely Ferreira

Isabely Ferreira

Psicóloga, CRP 08/30613

Neuropsicologia e Psicoterapia TCC

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